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Tecnologia e Medicina do Esporte: Parte 1

Atualizado: 1 de fev. de 2025

A tecnologia e o futebol americano andam de mãos dadas hÔ muito tempo e isso é novidade para ninguém. Diversas empresas e pesquisadores atuam no esporte e utilizam as novidades do cenÔrio científico para aprimorar os processos de preparação física, desenvolvimento e anÔlise de performance, recuperação muscular, prevenção de lesões e monitorização dos atletas. Esses projetos ocorrem não só pelo forte envolvimento universitÔrio e acadêmico no esporte, mas pelo investimento realizado pelos clubes em modernização, criando uma corrida tecnológica que acompanha a evolução do esporte e sua competitividade.

Para elucidar esses fatos, separei algumas empresas que atuam no futebol americano, e em outras modalidades, que estão modificando a maneira como o atleta de ponta desenvolve sua periodização do treinamento desportivo e protocolos de recuperação muscular e como isso modifica a relação entre o plantel de atletas e o departamento médico.



A empresa foi fundada em 2006 a partir de uma parceria entre o Instituto Australiano de Esporte (AIS) e os Centros Cooperativos de Pesquisa (CRC) visando maximizar o desempenho dos atletas australianos antes dos Jogos Olímpicos de Sydney. Em setembro de 2013, a Catapult ganhou o prêmio Engineering Australia President's Award pela sua revolucionÔria tecnologia esportiva e, em 2015, ficou em 10º lugar na lista das 50 empresas mais inovadoras da Fast Company, sendo a primeira colocada na categoria Fitness.

A empresa utiliza a tecnologia GPS/LPS para realizar anÔlises específicas, combinando dados de sensores inerciais de acelerÓmetros, giroscópios e magnetÓmetros com informações posicionais, extraindo conjuntos de dados que podem destacar as demandas específicas de diferentes posições, monitorando o desenvolvimento da performance. As informações de latitude e longitude são captadas através de um dispositivo acoplado a um colete de compressão.

O dispositivo obtém informações sobre a carga realizada e sinais vitais do atleta. Isso é de suma importância pois pode quantificar o esforço realizado durante os treinos, podendo ser utilizada posteriormente para formulação de estratégias de saúde, prevenção e acompanhamento de lesões e estudos em fisiologia do exercício.


No futebol americano, o dispositivo é capaz de responder questões como: Qual carga o quarterback acumula entre lançamentos, o quanto o exercício aeróbio pode influenciar na precisão dos lançamentos, qual a diferença de demanda entre um treino e uma partida oficial, entre outras. Hoje a empresa presta serviços para a IMG Academy, atuando diretamente na preparação dos atletas para o Combine, em Indianapolis.


Diversos times utilizam a tecnologia oferecida pela Catapult Sports. Tom Myslinski (Jacksonville Jaguars) foi o primeiro a utilizar a tecnologia em 1996, ainda de forma mais bĆ”sica, enquanto atuava pelo Cleveland Browns. Segue seu relato sobre a prĆ”tica: ā€œQuando conversĆ”vamos com nossos treinadores, tĆ­nhamos informaƧƵes mais baseadas no conhecimento, em vez de apenas falar que essa era uma prĆ”tica difĆ­cil ou uma prĆ”tica fĆ”cil, poderĆ­amos, na verdade, avaliar isso com nĆŗmeros ". Para a temporada 2019, 5 franquias comeƧaram a utilizar os serviƧos da empresa, sĆ£o elas: Cincinnati Bengals, New York Jets, Oakland Raiders, San Francisco 49ers e Tampa Bay Buccaneers, mostrando o sucesso que essa tecnologia, cada vez mais aprimorada, vem fazendo no esporte de alto rendimento.


Em 2019, a Catapult Sports iniciou seus trabalhos no Brasil e o Flamengo foi um dos primeiros clubes a adotar a nova tecnologia com o lanƧamento do Catapult Vector. Dessa forma, o clube pode analisar os sinais vitais dos atletas, em tempo real e com anƔlise de carga, diretamente de um tablet.


A Rise Science é uma empresa que utiliza tecnologia para avaliar o sono. Através da obtenção de um kit simples de dispositivos fornecidos pela empresa, o atleta é capaz de monitorar os aspectos que envolvem esse fenÓmeno biológico. Além disso, busca solucionar os mais diversos problemas que prejudicam a qualidade do sono, como despertares noturnos, baixa duração e outros, pois o serviço fornece, em tempo real, protocolos e soluções para os diversos problemas encontrados durante as avaliações.

O Kit é composto por um óculos de lentes laranjas, uma bloqueador de claridade, um pequeno e simples dispositivo que é acoplado à cama do atleta e um software (também disponível em versão mobile). Todos os dados do sono podem ser extraídos diretamente do telefone, sem precisar de carregamento e sincronização. Além de ser uma tecnologia eficaz por si só, é de grande valia o material fornecido por esses relatórios para o Departamento Multidisciplinar da equipe, como ocorre nos grandes projetos da Rise Science com a NFL e NCAA. As informações obtidas pelo software podem ser utilizadas pelo Departamento Médico para auxiliar no diagnóstico de doenças, acompanhar a evolução do tratamento de patologias, traumas e lesões.

De acordo com o site da empresa, os testes clínicos mostraram um aprimoramento de 0.1% na corrida de 40 jardas, 10% melhor playmaking e redução de 70% na incidência de lesões.

A fisiologia envolvida é bem simples. Os olhos possuem células especiais que especificamente detectam a cor azul e o cérebro interpreta como luz do dia e tenta nos manter acordado. No entanto, quase todas as luzes que utilizamos para assistir televisão ou utilizar um tablet possuem luz azul. O resultado disso é que no período da noite o cérebro reconhece a luz azul e com isso a produção de melatonina ficaria alterada, prejudicando a qualidade do sono. A recomendação é utilizar os óculos por 1 hora antes de deitar. A outra recomendação compõe um guia de informações para o ambiente do sono, envolvendo acústica, temperatura e claridade. Para esse último, o serviço da empresa inclui um protetor que garante menor claridade na direção dos olhos do atleta.

O último dispositivo que compõe o pacote corresponde a um sensor que é inserido debaixo da cama. A tecnologia do sensor é capaz de medir a frequência cardíaca, os movimentos durante o sono, tempo para indução e diversos outras propriedades que envolvem o sono. Com o passar dos dias o atleta receberÔ em seu celular, através do aplicativo da empresa, um relatório de seu padrão de sono mapeado pelos dias da semana e conteúdos em vídeo relacionados com a demanda do atleta. O software então reconhece os padrões observados e envia ao atleta maneiras de solucionar os problemas apresentados.

A empresa jÔ trabalhou com diversas equipes da NCAA e NFL onde vÔrios profissionais do esporte relataram a eficÔcia desse novo instrumento de avaliação, que pode ser utilizado tanto pelo treinador como pelo Departamento Médico da equipe.

"A equipe da Rise trabalha com nossa equipe e jogadores hƔ vƔrios anos, ajudando-nos a analisar os padrƵes de sono de nossos atletas para alcanƧar os nƭveis ideais de desempenho no campo e no dia a dia." Ben Herbert. Diretor de ForƧa e Condicionamento, Universidade de Michigan.




ā€œO Rise fornece aos nossos funcionĆ”rios as ferramentas para maximizar o sono e melhorar tanto como jogadores de futebol quanto como estudantes. Esse ganho mĆŗtuo torna o Rise a melhor coisa que podemos fazer para melhorar nosso programa.ā€ Willie Fritz. Treinador principal, Tulane University Football.


Cryo Science


A crioterapia é a ciência de expor o corpo a temperaturas baixíssimas, a fim de estimular benefícios à saúde física e mental. Reduz a inflamação no corpo, estimulando uma substância química anti-inflamatória chamada norepinefrina. A crioterapia também aumenta a circulação sanguínea em todo o corpo, o que resulta em uma maior taxa metabólica e gasto calórico. O tratamento também aumenta o nível de endorfinas, que podem elevar o humor e reduzir o estresse.

A crioterapia de corpo inteiro (CBC) é um tratamento de três minutos que expõe todo o corpo a temperaturas extremas tão baixas quanto -140 ° C, a fim de promover benefícios de recuperação, desempenho e bem-estar.


A prÔtica de aplicar tratamentos de baixa temperatura remonta ao Egito Antigo, Império Romano e Grécia, iniciada em 2500 A.C. Em 1978, o médico japonês, Dr. Yamaguchi, modernizou a crioterapia de corpo inteiro. Ele usou sessões de congelamento para estimular o sistema imunológico e tratar a artrite. Após 22 anos, um grupo de cientistas poloneses adotou a crioterapia como uma forma de fisioterapia, desenvolvendo um centro olímpico de reabilitação em Spala, na PolÓnia. Hoje, a prÔtica é amplamente utilizada na recuperação de lesões esportivas, combate à fadiga, promoção da perda de peso, bem-estar geral e antienvelhecimento.


Jamal Liggin, fundador da JLT, treinou atletas como Julio Jones, Odell Beckham Jr e Von Miller. Em suas entrevistas defende o treinamento realizado da maneira mais segura o possível, pensando na saúde, com protocolos focado no ganho progressivo de resultados. Com a popularização e modernização da prÔtica, não é estranho que JLT seja um defensor da crioterapia e recomende a utilização de CBC após sessões mais extenuantes.


Uma curiosidade sobre a crioterapia ocorreu em agosto de 2019. O atleta Antonio Brown (Las Vegas Raiders, na época Oakland Raiders) lesionou seu pé após uma queimadura por frio que ocorreu durante o uso da crioterapia, posteriormente publicando em seu Instagram uma foto do pé após a lesão. Isso mostra que até a terapia mais moderna precisa de cautela para ser utilizada.


Texto e pesquisa de autoria de Thiago Dias, mƩdico do Flamengo Imperadores.

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